A discussão em torno da criação de novas universidades no Amazonas voltou a ganhar destaque após a intervenção de Marinete Mota, diretora do Instituto de Natureza e Cultura (INC), da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Representando múltiplas vozes da região, ela ressaltou a importância histórica da luta por uma instituição de ensino superior com autonomia financeira e administrativa no interior do Amazonas.
Acompanhe o trecho da oradora Professora Dra. Mariente Mota
Uma luta que vem de décadas
Segundo Mota, o movimento por uma universidade própria não é recente. Desde os anos 1980, organizações locais como a CICLAS já reivindicavam cursos de formação de professores para atender às necessidades educacionais básicas. Esse processo foi marcado pela participação de lideranças indígenas, sociedade civil organizada, políticos e instituições públicas, resultando em experiências pioneiras de cursos especiais na década de 1990 e em tentativas legislativas nos anos 2010, muitas delas barradas por entraves financeiros.
Críticas ao projeto UFEMAS
Mota também comentou sobre a mobilização contrária ao projeto da Universidade Federal do Médio e Alto Solimões (UFEMAS), que previa o desmembramento da UFAM. Segundo ela, a proposta não dialogava com a comunidade acadêmica local e trazia riscos de precarização e inviabilidade logística. A pressão social e política levou à retirada do projeto no Congresso Nacional em 2023, abrindo espaço para novas reflexões sobre um modelo mais adequado às demandas regionais.
Proposta da UFIPAM: integração e sustentabilidade
Como alternativa, foi elaborada uma minuta de lei para criação da Universidade Federal de Integração Pan-Amazônica (UFIPAM). O documento foi construído de forma participativa, envolvendo comunidades indígenas, prefeitos da tríplice fronteira (Brasil, Colômbia e Peru), parlamentares e representantes de universidades. A proposta coloca em destaque a integração regional, a valorização dos saberes tradicionais e científicos, a sustentabilidade e a inclusão social, além de defender a autonomia e recursos próprios para enfrentar os desafios socioeconômicos da região, marcada por baixos índices de desenvolvimento humano.
Reconhecimento e avanços já conquistados
O deputado federal Sidney Leite também reconheceu os avanços e destacou o trabalho do INC em Benjamin Constant, citando inclusive o fortalecimento do empreendedorismo indígena com inovação tecnológica e startups que alcançam projeção internacional. Para ele, mesmo com estrutura modesta, o INC já demonstra o potencial transformador da educação superior na região, reforçando a legitimidade do projeto de expansão universitária.
O papel do INC
O Instituto de Natureza e Cultura (INC) da UFAM, dirigido por Marinete Mota, é hoje referência em educação superior na fronteira amazônica. Sua atuação prioriza políticas de formação voltadas à realidade local, valorizando culturas e saberes da Amazônia, além de promover inclusão social. Para Mota, esse histórico comprova que a região tem capacidade de consolidar um modelo universitário próprio e inovador.
Ata da sessão

Link completo da audiência: https://www.youtube.com/live/eIpDjNx_nec